Arquivo Pessoal Freire de Andrade


O Arquivo Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros procedeu ao tratamento e inventário do arquivo pessoal do ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros Alfredo Freire de Andrade, que se encontra agora disponível para consulta em ahd.mne.pt. 

Alfredo Augusto Freire de Andrade (1859-1929) fora militar, engenheiro de minas e político, repartindo a sua atividade profissional por áreas tão exigentes quanto distintas. Ao labor que dedicou, com mérito, a cada um destes campos, soma a vivência de um período temporal único: a transição entre os séculos XIX e XX, com destaque para a Implantação da República, em Portugal, e - a nível internacional - a eclosão da I Guerra Mundial com o consequente reordenamento do pós-guerra.

Freire de Andrade frequentou a Escola Politécnica, a Escola do Exército e, mais tarde, a Escola de Minas de Paris. Destacado professor, geólogo e engenheiro, chegou, inclusive, enquanto oficial do Exército, ao posto de general (1922). Em Moçambique, onde esteve no final do século XIX e nos primeiros anos do século XX, desempenhou os cargos de Comissário Geral de Minas, integrou a Comissão de Delimitação de Fronteiras entre Lourenço Marques e o Transvaal e, mais tarde, em 1906, foi nomeado Governador-geral da província de Moçambique - lugar que lhe valeu o reconhecimento geral das gentes moçambicanas. 

De regresso a Portugal - por decisão própria, em virtude da transição republicana, resignou ao cargo em Moçambique -, aderiu ao Partido Republicano Português e assumiu um lugar de proeminência política. Tornou-se Diretor-geral de Colónias, entre 1911 e 1913, e Ministro dos Negócios Estrangeiros, em 1914-1915, entre outras funções a que foi chamado. Mais tarde, representou Portugal em dois eventos-chave do primeiro quartel do século XX: a Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a fundação da Sociedade das Nações, em 1920, na qual participou nas Comissões e Comités de Escravatura, Mandatos e Lugares Santos.

A documentação da sua vida permite-nos traçar uma imagem mais clara do seu contexto tão ímpar e responder, por isso, a curiosidades que enevoam a História. Entre eles, podem contar-se os telegramas entre Lisboa e Moçambique, em 1910, a dar conta - com o natural atraso comunicativo - da Implantação da República; a exposição, em relato, dos preparativos e desenrolar da Conferência de Versalhes, em 1919; e documentação variada, em diferentes âmbitos, sobre a realidade da escravatura, negócios indígenas e trabalho forçado nas colónias portuguesas.

Outros conteúdos que podem ser consultados, no Espólio de Freire de Andrade, incluem documentos da família (pertencentes a Virgínia Freire de Andrade e filhos); documentos de âmbito pessoal (com destaque, por exemplo, para os seus passaportes diplomáticos); apontamentos e relatórios de geologia; e documentação relativa ao seu labor na administração pública, em Portugal, nas colónias ou externamente, em representação diplomática."

João Gaio e Silva
(Estagiário. Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, NOVA FCSH)
15-01-2020